Legião Urbana

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domingo, 3 de abril de 2011

Filmagens do longa Faroeste caboclo começam no dia 10 de abril

Na base da produção de Faroeste caboclo, tudo é pensado e feito para retratar os contrastes sociais da época em que Renato Russo escreveu a canção-hino. O filme será ambientado na cena rock do fim dos anos 1970 e início dos 1980, como nos forrós e soul music que agitavam a periferia e as cidades satélites. O foco, como na música, será a história de amor de João do Santo Cristo e Maria Lúcia.

O bandido que se apaixona e tenta largar o crime por amor a uma menina forte, mas pura e sonhadora, será vivido pelo ator Fabrício Boliveira, o Cavanha de 400 contra 1. Como os outros dois protagonistas, o baiano de 28 anos nunca havia visitado Brasília. Por isso, desde segunda-feira, ele e os colegas que incorporarão Maria Lúcia (Ísis Valverde) e Jeremias (Felipe Adib) fazem uma imersão na cultura candanga.

Junto, o trio visitou monumentos e esteve até na chácara onde foi a realizada a Rockonha, em Sobradinho. O organizador da festa eternizada na canção ainda mora na propriedade.

Agora, cada um dos protagonistas de Faroeste caboclo tem feito sua pesquisa de campo sozinho. “Vou pegar um ônibus e ir até o Entorno, circular por lá. Quero conhecer os sotaques, o modo, a vida do povo”, conta Fabrício. Já a mineira do interior Ísis Valverde, 24 anos, está à procura de festas embaladas por rock. “Procuro baladas inspiradas nas festinhas comuns dos anos 1980 em Brasília”, revela a mais famosa artista do projeto, por causa das suas participações em novelas globais.

Felipe, por sua vez, quer se infiltrar no mundo dos playboys brasilienses. “Creio que o Jeremias era um traficante de classe média, pois andava com os filhos dos poderosos, fornecia a droga para essa galera”, comenta o rapaz de 28 anos, nascido no Rio de Janeiro, onde hoje tem residência fixa.

À frente do elenco está Sergio Penna, diretor teatral com sólida carreira como preparador de atores para cinema e televisão desde o filme Bicho de sete cabeças. “Muito mais que vivenciar a época do filme, meu papel é embutir no ator a realidade dos personagens”, observa.

Falta verbaO dinheiro para toda essa produção e locações no DF e Entorno está garantido com os R$ 3 milhões captados nos últimos três anos. Desse montante, R$ 700 mil saíram do Fundo de Amparo à Cultura (FAC), do GDF. “O restante, deverá vir de outro fundo, de Paulínia (SP), onde deveremos rodar boa parte do filme, principalmente as cenas de João do Santo Cristo em sua infância e adolescência na Bahia”, conta a produtora Bianca De Felippes.
Produção
Tão aguardado, filme Faroeste Caboclo começa a ser rodado daqui a duas semanas. Ruas, casas e monumentos do Distrito Federal e Entorno serão tomados por atores, produtores, técnicos e toda a parafernália que envolve um longa-metragem. O trabalho levará ao menos dois meses. Se tudo ocorrer conforme o planejado, a saga de João do Santo Cristo, que deixa Salvador em busca de uma vida melhor e acaba em Brasília, deve ganhar as telas de cinema em outubro.

Antes do início das filmagens, grande parte das 80 pessoas envolvidas na obra já na trabalham dia e noite na pré-produção. Elas desembarcaram na capital federal há um mês e meio. Desde então, têm percorrido as cidades do DF e Entorno para estudar os pontos de locações, os costumes dos moradores da região e pesquisar objetos de época. Tudo para resgatar a Brasília do fim dos anos 1970, onde e quando Renato Russo escreveu a música Faroeste Caboclo, agora adaptada para o cinema.
Para a fase final da gestação do longa-metragem, os produtores montaram uma base na 609 Norte, numa das unidades do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb). Eles ocupam quatro amplas salas do subsolo da faculdade. Cada cômodo é destinado a uma etapa da produção. Há espaço para ensaios dos atores, testes de figurinos, pesquisas para cenários, entre outros. Tudo muito organizado para rodar e finalizar o filme.

Com o intuito de não deixar técnicos, atores e todos os outros profissionais perdidos, cada fase da filmagem está escrita em quadros fixados nas paredes. Eles também servem para as fotografias e desenhos dos cenários, roupas, mobílias e todos os objetos que serão usados nas cenas. Entre eles está a clássica Winchester 22, escolhida por João para enfrentar o Jeremias. “Como se trata de um personagem, a arma do filme será especial, banhada a ouro”, revela a produtora Bianca De Felippes.

Reconstituição
Esse e outros segredos do longa o Correio descobriu na primeira visita de uma equipe de reportagem ao quartel-general da produção. Uma simples casa na área rural será transformada na residência de Pablo, o primo traficante de João do Santo Cristo, por exemplo. Os donos do imóvel se mudarão para um hotel nos dias da filmagem. Já cenas da Ceilândia dos anos 1970 serão rodadas em ruas de terra de um bairro do Entorno. O Lote 14, onde ocorre o duelo final entre os protagonistas será uma pequena cidade cenográfica.

Todo esse trabalho une nomes experientes do cinema nacional com novatos. Enquanto Bianca De Felippes tem no currículo filmes como Carlota Joaquina, que marcou a nova fase do cinema nacional, o diretor René Sampaio faz sua estreia à frente de um longa-metragem. “Vamos tentar ser muito fiel à história da música, mas não estamos fazendo um documentário, até porque a letra do Renato (Russo) deixa grande margem para criação”, comenta René, brasiliense que, como fã incondicional da Legião Urbana, sempre sonhou em levar para a tela grande a canção do ídolo.

No projeto de René, também há gente ainda mais inexperiente nesse universo, mas trabalha com afinco na produção do filme. São alunos do curso de cinema do Iesb, como Natália Gloss, 25 anos, que abraça a oportunidade. “Quando fazemos um curta na faculdade, tudo é tão pequeno diante do que tenho vivido aqui”, observa a jovem, que faz estágio como assistente de arte em Faroeste Caboclo.

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