Legião Urbana

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segunda-feira, 21 de março de 2011

ISTOÉ Gente 2007

As marcas de Renato Rocha
Ex-baixista da Legião Urbana, Renato Rocha vive em lugarejo nas imediações do Rio, guarda mágoas da banda e volta ao show-biz depois de 11 anos
A poucos quilômetros dos arranha-céus da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, o músico Renato Rocha, 49 anos, leva uma vida pacata numa casa velha de frente para o mar de Barra de Guaratiba. É num pedaço de paraíso que há dois anos ele vive com a mulher, Rafaela, 25 anos, e os dois filhos, Vitória, de três anos, e Renato, de três meses. Num vilarejo onde falta luz constantemente, Renato passa os dias se aventurando em cima de sua bicicleta. Em casa, não há tevê. O único elo com o mundo é um celular de cartão. Diferentemente dos tempos de baixista da Legião Urbana, quando varava noites em festas regadas a drogas e álcool. Daqueles anos, restou o rock’n’roll de Woodstock, cujo disco Rocha escuta cinco vezes ao dia. O hábito fez da filha fã de Janis Joplin.

Quinta-feira 15, Rocha levou Gente até o lugar onde se inspira, depois de uma caminhada de 200 metros mata adentro. Sobre pedras, a 50 metros do mar, o músico escreve letras de músicas para a banda Cartilage, que marcará seu retorno ao showbiz, depois de um exílio de 11 anos. Desde que o líder da Legião Urbana, Renato Russo, o demitiu por constantes atrasos, Rocha não tocou mais. Mudou-se para Curitiba e, três anos depois, para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Há dois anos, voltou a morar no Rio, com a quinta mulher, Rafaela, mãe de seus dois filhos.


Nesse tempo, se manteve só com royalties dos três discos que
gravou com a Legião entre 1984 e 1989. São cerca de R$ 1.800 mensais. De volta ao Rio e sem lugar para morar, Rocha e a família ficaram acampados. Ele pediu a Dado Villa-Lobos, ex-companheiro da Legião, R$ 200 emprestados. “Foi a primeira vez que o procurei depois que saí da banda. Estava desesperado.”

Dinheiro só não lhe fez falta nos tempos de baixista. Nascido em São Cristóvão, zona norte do Rio, Rocha se mudou aos 9 anos com os pais e quatro irmãos para Brasília. O pai, sargento do Exército, e a mãe, professora, eram religiosos e só deixavam os filhos ouvir música clássica e gospel. Aos 12 anos, Rocha virou punk. Depois de tocar em bandas de rock de Brasília, ingressou na Legião para substituir Renato Russo no baixo. Russo tinha cortado os pulsos e perdera temporariamente os movimentos para tocar. “Foi quando passei a ter conta bancária”, conta. Com os cachês, comprou oito motocicletas, a maioria Harley Davidson.

O músico guarda uma Mercedes 79 comprada no auge, e muitas mágoas da Legião. Segundo ele, Russo “era um chato que vivia em crise”, Bonfá, “um cara muito egoísta” e Dado, “uma pessoa de personalidade fraca”. Dado e Bonfá não quiseram polêmica com o antigo companheiro. Rocha diz que, na época, trocou a vida saudável pelas drogas. Antes, jogava vôlei e tinha sido vice-campeão brasileiro de queda de braço em 1978. “Eu e o Renato Russo só queríamos saber de cheirar cocaína e beber”, diz. Hoje, é bem diferente.